A ABNT NBR 15961 define os critérios para projeto e execução de injeções em maciços terrosos e rochosos. Em Maringá, a aplicação dessa norma exige atenção redobrada. O perfil geológico da cidade, formado majoritariamente por solos residuais de basalto da Formação Serra Geral, apresenta horizontes com blocos de rocha e matacões imersos em matriz silto-argilosa. Essa heterogeneidade, somada à presença de lentes de solo transportado nas áreas de fundo de vale como as do Córrego Borba Gato, cria caminhos preferenciais de fluxo. Um projeto de injeções bem dimensionado precisa mapear essas descontinuidades. Sem isso, a calda de cimento simplesmente se perde no maciço, sem tratar a zona alvo. Para caracterizar a fundação antes da cortina de injeção, muitas vezes complementamos com um ensaio CPT que nos dá a estratigrafia contínua do terreno e identifica as camadas mais permeáveis.
A pressão de injeção em solo residual de basalto raramente deve ultrapassar 0.5 MPa para evitar fraturamento hidráulico e perda de calda.
Perguntas e respostas
Qual a diferença entre injeção de preenchimento e injeção de compactação no solo de Maringá?
A injeção de preenchimento usa calda fluida de cimento para ocupar vazios e descontinuidades, como fraturas no basalto ou cavidades em aterros. A pressão é baixa, só para a calda fluir. Já a injeção de compactação emprega uma argamassa muito consistente (baixa relação a/c) que é forçada no solo com alta pressão. Ela não penetra nos poros — ela desloca e compacta o maciço ao redor do ponto de injeção. Em Maringá, usamos compactação para tratar solos residuais muito fofos e preencher erosões internas típicas do arenito da região.
Qual o custo médio de um projeto de injeções para uma cortina de impermeabilização?
Para uma cortina de injeção em solo residual de basalto, o custo gira em torno de $100.000 por metro linear de tratamento, considerando perfuração, material e injeção. O valor final depende da profundidade, do consumo de calda e da malha de furos definida no projeto.
Como é feito o controle de qualidade da injeção durante a execução em Maringá?
O controle de qualidade é contínuo. No campo, registramos a pressão, vazão e volume de calda a cada metro de furo. Coletamos amostras da calda para ensaio de fluidez (cone de Marsh) e resistência à compressão simples. Após a cura da injeção, executamos sondagens mistas com ensaios de perda d'água sob pressão (ABNT NBR 15961) para verificar se a permeabilidade alvo foi atingida. Em obras críticas, usamos ensaios de permeabilidade in situ para validar o maciço tratado.
A injeção pode ser usada para estabilizar um talude que está apresentando trincas em Maringá?
Depende da causa da instabilidade. Se as trincas são por erosão interna ou presença de vazios no solo residual, a injeção de preenchimento ou compactação resolve. Mas se a instabilidade é profunda, por perda de resistência ao cisalhamento do maciço, só a injeção não basta. Nesses casos, a cortina de injeção entra como complemento a uma obra de contenção, como muros de contenção atirantados. O projeto precisa integrar as duas soluções.